quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

China - Mercado de Luxo se expande apesar da crise

Enquanto a maioria dos países ainda se recupera da crise econômica, o mercado chinês parece já se recuperar e mostra crescimento na vendas de produtos de alto-padrão
O mercado de produtos de luxo na China está desafiando a desaceleração econômica, com cada vez mais consumidores dispostos a pagar por marcas de qualidade elevada. Um novo estudo prevê que as vendas de luxo no país cresçam, mas a expansão não será tão tranquila como se imagina.
O mercado chinês de luxo é relativamente pequeno, representando apenas 3,5% das vendas mundiais em 2008, que renderam cerca de 167 bilhões de euros (250,5 bilhões de dólares), segundo os dados da empresa de consultoria Bain & Co.
Um novo estudo prevê que as vendas de vestuário e acessórios de luxo apresentem um crescimento entre 15% e 20% no ano de 2009. Uma evolução que contrasta com a queda de 8% e 16% registrada nas vendas dos mesmos produtos na Europa e Estados Unidos, respectivamente.
As recentes declarações de resultados crescentes deste mercado específico confirmam as previsões positivas. A Gucci apresentou um salto de 22% nas vendas em território chinês no terceiro trimestre e um aumento de 37% através das marcas do grupo, incluindo Bottega Veneta e Yves Saint Laurent.
Os novos compradores
O aumento da procura por estes tipos de produto de alto-padrão resulta não só da elite chinesa, mas também dos milhões de pessoas que compõem a nova classe média e almejam suas primeiras compras de luxo.
Amanda Zhang, 28 anos,consultora jurídica em Pequim, comprou a sua primeira bolsa Chanel há alguns anos atrás. Seu próximo sonho de consumo a ser realizado é um par de sapatos da marca Jimmy Choo>. “Todas as mulheres têm um sonho e o meu era ter uma bolsa Chanel 2.55", confessa Zhang.
“Os consumidores chineses compram marcas caras como um símbolo de status”, afirma Bruno Lannes, responsável pela área de consumo da Bain na China. “Trata-se de uma maneira de mostrar como a pessoa é bem sucedida”, acrescenta.
Mas estes consumidores são motivados também pelo desejo de qualidade elevada, segundo Cindy Lee, diretora senior de vendas e de marketing da Longchamp, em Hong Kong. “Eles estão muito conscientes do que vão comprar. Querem saber sobre os materiais utilizados, a origem do produto e como ele é feito”, aponta Lee. Isto significa que produtos utilitários,
como bolsas, acessórios e roupas clássicas, estão entre os mais vendidos. “Os consumidores de luxo na China querem uma bolsa que possam usar todos os dias e não uma blusa para usar uma vez no mês”, afirma Shaun Rein, director-executivo do grupo China Market Research (CMR), que recentemente realizou uma pesquisa com os consumidores de produtos de luxo na China.
Atualmente, 60% dos bens de luxo comprados por chineses são adquiridos em Hong Kong ou em outros países, onde as mercadorias são mais baratas.
Fonte: Portugal Textil
Edição: Marcela Leone
Fotos: Reprodução

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