terça-feira, 28 de outubro de 2008

Turquia mercado internacional parte 2

A elevada dependência da indústria têxtil da Turquia em relação ao mercado europeu preocupa os empresários, que estão desenvolvendo medidas para favorecer a sua posição competitiva
A dependência em relação ao mercado europeu está gerando uma preocupação generalizada na indústria têxtil e de vestuário da Turquia, o qual beneficiou com o estabelecimento da União Alfandegária e impulsionou o comércio na seqüência do fim do Acordo Multifibras (AMF) em 2005. No entanto, os mais recentes acontecimentos na Europa estão produzindo efeitos menos positivos para o setor. «As políticas ultra-liberais da UE já começaram a exercer efeitos negativos, tanto sobre si mesmas, como na Turquia, através da orientação do desenvolvimento tecnológico do Sudeste Asiático, aumento no déficit do comércio externo, taxas de desemprego, dívidas públicas e problemas socioeconômicos», refere Turan Atilgan, professor de engenharia têxtil na Universidade de Ege. «Apesar do Tratado de União Alfandegária não permitir que a Turquia esteja presente no mecanismo de decisão, este liga o nosso país de forma unidirecional [à UE], o que causa problemas significativos para a economia turca e origina as críticas de figuras políticas e da indústria», explica Altigan. «Por exemplo, cada tratado assinado entre a UE e outro país terceiro atinge a Turquia. E, infelizmente, a UE não dá atenção aos requisitos da Turquia e dos setores têxtil e do vestuário turcos», acrescenta. Como conseqüência parcial, as empresas turcas procuram expandir-se para mercados alternativos, especialmente da Ásia Central, África, Sudeste da Ásia e os EUA. Mas isto não implica que os fabricantes turcos vão diminuir a sua dimensão de negócios com a Europa, tendo em conta as atuais trocas comerciais e a forma como algumas marcas turcas - como Koton, Mavi Jeans e Colin´s - estão estabelecidas na Europa. Em vez disso, a Turquia está focalizada na especialização e em produtos de melhor qualidade, como por exemplo, através do Turquality, um projeto criado em 2004 e apoiado pelo governo para promover o vestuário fabricado na Turquia, e no aumento da produção de algodão orgânico para o mercado europeu. O objetivo, refere o professor Turan, é que o setor cresça através da diminuição do volume, através da focalização em vestuário de classes médias e altas. Esta orientação refletiu-se nos dados do ano passado, com as exportações para a Europa aumentando 2,8% em termos de volume, mas 7,7 % em termos de valor. A mudança da Turquia no sentido do vestuário de qualidade média e superior também está evidente no número de marcas internacionais que têm instalações de produção estabelecidas no país, como a Levi´s, Diesel, Armani, Miss Sixty, Hugo Boss, Next, Zara e H&M. As empresas turcas também estão acrescentando valor para o setor, melhorando o tempo entre a concepção e a comercialização, um fator crucial para responder à rápida mudança nas tendências dos consumidores europeus. A marca Koton, por exemplo, demora apenas 35 dias para o desenvolvimento, produção e exportação do vestuário, enquanto a Mavi Jeans demora 48 dias, a Damat-Tween e a Vakko demoram 45 dias, e a Sarar demora 60 dias, de acordo com Altigan. Ao mesmo tempo, o setor está orientando-se para a nova regulamentação, caso a Turquia se torne membro da UE. «O setor não está à espera de eventuais impactos negativos graves, na medida em que já se encontra fortemente liberalizado», comenta Altigan. «Na verdade, o setor têxtil e de vestuário turco está pronto para qualquer tipo de regulamentação internacional e regional, e o setor deseja fortemente colaborar com a União Européia na Organização Mundial do Comércio», conclui o professor.
FONTE: Portugal Têxtil
Edição: Marcia Kimie
Foto: Reprodução

Nenhum comentário: